Teixeira de Pascoaes
Poesia IV

21,20 

– Eu sei bem o teu nome. Quantas vezes,
Em ígneas, vivas letras de oiro, fulge
Perante meu espírito de amor.
E quem te baptizou? Meu coração.
De água lustral banhou-te a negra fronte.
E a sua voz, ansiosa, nomeando-te,
Roubou assim a morte à própria morte.

Eu sei tirar das cousas o seu íntimo
Sinal harmonioso e transcendente.

A espiritual imagem desprendida
Das formas e das cores vem morrer
Nos meus ouvidos de alma… e ali renasce…
Ei-la canção. Cantar é o meu destino.

[…]

Ao ver morrer o sol, num ermo pinheiral
(Era eu criança ainda),
De repente, senti uma tristeza infinda
E sobrenatural…
E, desde então,
Vivo na mais profunda solidão;
E vivo no silêncio mais profundo,
E ouço falar em mim o espírito do mundo.

REF: TP4 Categorias: , ,

1.ª ed.: dezembro 2025
160 x 235 mm | 280 pp.
ISBN 978-989-36383-0-9

Edição e introdução: José Rui Teixeira
Apoio: Município de Amarante e Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte
Coordenação científica: Cátedra Poesia e Transcendência [UCP Porto]

Share This