Camilo Pessanha Clepsidra e outros poemas
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Quem poluiu, quem rasgou os meus lençóis de linho,
Onde esperei morrer, – meus tão castos lençóis?
Do meu jardim exíguo os altos girassóis
Quem foi que os arrancou e lançou no caminho?
Quem quebrou (que furor cruel e simiesco!)
A mesa de eu cear, – tábua tosca, de pinho?
E me espalhou a lenha? E me entornou o vinho?
– Da minha vinha o vinho acidulado e fresco…
Ó minha pobre mãe…! Não te ergas mais da cova.
Olha a noite, olha o vento. Em ruína a casa nova…
Dos meus ossos o lume a extinguir-se breve.
Não venhas mais ao lar. Não vagabundes mais,
Alma da minha mãe… Não andes mais à neve,
De noite a mendigar às portas dos casais.
1.ª ed.: março 2026
140 x 210 mm | 96 pp.
ISBN 978-989-36694-3-3
Edição e introdução: José Rui Teixeira
Apoio: Fundação Cupertino de Miranda e Irmandade dos Clérigos
Coordenação científica: Cátedra Poesia e Transcendência [Sophia de Mello Breyner Andresen] / Universidade Católica Portuguesa – Porto




