Rui Nunes
No íntimo de uma gramática morta

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O incêndio das roseiras. Carbonizadas, o negro ramificou-se como uma fractura. De manhã, não se sabe se é o nevoeiro se o erguer incerto da cinza. As árvores, do outro lado da estrada, perderam o nome, o fogo consumiu-o: são agora espeques calcinados onde o vento se ouve.
O carro move-se no íntimo de uma gramática morta:
quantos sulcos atingiram a plenitude
de neles não cair uma semente?

2.ª ed.: novembro 2021
150 x 210 mm | 48 pp.
ISBN 978-989-8029-97-3

Imagem da capa: Käthe Kollwitz, In Memoriam Karl Liebknecht [1920].

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