Fernando de Castro Branco
Fase violeta

11,66 

Noites de fevereiro a descer obliquamente
sobre as árvores para não acordar os pássaros.
Passos mínimos pelo jardim. Após a poda,
as plantas condensadas, como que absorvidas
por si mesmas; ameaçando o invisível voo
à laia de asas. A transparência

desceu sobre o jardim, os caules
ascéticos a conspirar a Primavera.
Respirar o ar seco das últimas geadas.
O Inverno soçobra e deixa no ar
um silêncio póstumo. A pura luz
a que dificilmente regressaremos.

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