José Rui Teixeira
Furusato

23,32 

Em Homens imprudentemente poéticos, Valter Hugo Mãe – como os antigos katari-be (recitadores) – inventa as palavras-paisagem de uma semântica ritual com a consciência de que podem as palavras inventar pequenas histórias, mas só as grandes histórias inventam palavras.
Homens imprudentemente poéticos é uma intensa paisagem-récita do Japão: uma paisagem-récita telúrica e mítica, como na voz dos antigos katari-be, porque quem recita não só narra e declama; quem recita reitera e só o que é reiterado resiste.
O Japão de Valter Hugo Mãe não é fora nem dentro do Japão. Nos rudimentos de uma antropologia da reiteração poética, a inteligibilidade de uma cultura é um âmago coabitado: não uma utopia, mas um reduto que resiste pela reiteração poética do humano.

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