Rui Nunes
O canto no ocaso

11,66 

parece recusar espaços prematuros, é tão sólida que a vida a julgará morta da vida e a morte a abandonará ainda à vida, dorme nesse espaço onde os deuses passeiam a sua neurastenia, o seu jogo arcaico de se fingirem imortais, expira, inspira: tremem as películas secas dos lábios e o fio de cabelo que lhe atravessa a boca, no hotel concreto de uma cidade com nome, numa rua com nome, Madame tem um nome: Marie: nome de nada, Hertzansky: roubou-o à cor dos espetáculos, ao feérico das vidas inventadas, talvez ouça palmas e lhe dêem flores no mar vago do sono, o garrote no braço e o braço roxo, o sonho endovenoso.

REF: LC28 Categorias: , ,

2.ª ed.: março 2023
150 x 210 mm | 48 pp.
ISBN 978-989-35014-2-9

Desenhos de Agostinho Santos [2022]

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