José Antonio Ramos Sucre
Insónia

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Quando a morte acudir finalmente à minha súplica e os seus avisos me tiverem habilitado para a viagem solitária, eu invocarei um ser primaveril, solicitando o amparo da harmonia de origem suprema, e um solaz infinito sossegará o meu semblante.
Os meus restos mortais, ocultos no seio da escuridão e animados de uma vida informe, responderão desde o seu desterro ao magnetismo de uma voz inquieta, pronunciada num litoral despido.
A recordação eloquente, à semelhança de uma lua exígua sobre a visão de uma ave sonâmbula, estorvará o meu sono impessoal até à hora de desaparecer, com o meu nome, no esquecimento solene.

20 em stock

1.ª ed.: julho 2021
160 x 235 mm | 224 pp.
ISBN 978-989-8029-81-2

Organização e introdução: José Rui Teixeira.
Prefácios: Carmen Ruiz Barrionuevo e Miriam Reyes.
Edição bilingue: espanhol e português. Tradução: Jorge Melícias.
Imagem da capa: Sidney Long, The spirit of the plains [1914].
A organização desta antologia e o seu estudo introdutório foram desenvolvidos no âmbito do projeto de pós-doutoramento: "José Antonio Ramos Sucre: o poeta insone", realizado por José Rui Teixeira na Facultad de Filología da Universidad de Salamanca [Departamento de Literatura Española e Hispanoamericana], orientado por Carmen Ruiz Barrionuevo, então diretora da Cátedra de Literatura Venezolana – José Antonio Ramos Sucre.

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